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terça-feira, 3 de junho de 2014

DEM rejeita candidatura da governadora à reeleição

Anna Ruth Dantas
repórter

O diretório estadual do Democratas decidiu pela prioridade para a eleição proporcional. A decisão foi tomada na reunião de ontem, na qual 45 pessoas votaram favoráveis às alianças proporcionais, dez ao lançamento da governadora Rosalba Ciarlini para a reeleição, um voto foi em branco, outro nulo e ainda houve duas abstenções. Com isso, o DEM se aproxima da aliança liderada pelo PMDB, que terá como candidato a governador o  deputado Henrique Eduardo Alves. 


Senador José Agripino recepciona a governadora Rosalba Ciarlini, que chega acompanhada do ex-deputado Carlos Augusto Rosado
Senador José Agripino recepciona a governadora Rosalba Ciarlini, que chega acompanhada do ex-deputado Carlos Augusto Rosado

O encontro de ontem foi tenso e teve como ponto alto o momento em que Rosalba Ciarlini e parte do seu grupo político deixaram a reunião. A chefe do Executivo estadual propôs que não ocorresse qualquer votação e a definição do partido fosse levada para a convenção estadual.

No entanto, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino, manteve o entendimento de que no encontro fosse votado o destino do partido. “Eu não poderia decepcionar os integrantes do diretório. Todos sabiam o motivo da reunião, a imprensa toda noticiou o objetivo desse encontro, como eu iria mudar?”, disse.

Mas, diferente do que esperava José Agripino, defensor da prioridade para coligação proporcional, o secretário chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, se mostrou determinado a levar o projeto de reeleição da governadora para a convenção do partido, marcada para o dia 15 de junho.

No momento em que a votação seria iniciada, Rosalba Ciarlini deixou o encontro e foi seguida pelo marido, Carlos Augusto Rosado, pelo ex-deputado Ney Lopes e pela irmã, a ex-deputada estadual Ruth Ciarlini. Visivelmente irritada, ela disse o que propôs no encontro. “Vamos aguardar. Na realidade a proposta que coloquei é o encaminhamento da possibilidade de minha candidatura e para fazer um arco de aliança precisava ter a solidariedade do partido. Estão se preocupando apenas com a proporcional. Então, vamos trabalhar”, comentou. 

Recurso 
Ao ser questionada se recorrerá da decisão do diretório estadual, ela disse: “Vamos aguardar”. Ao lado dela, o secretário chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, disse que “a instância deliberativa do partido é a convenção”. As declarações do casal deixam que não consideram a decisão de ontem definitiva. 

Embora a proposta da reunião fosse ser fechada, o auditório do Democratas não comportou todas as pessoas e muitas ficaram de fora. O clima nervoso da reunião foi possível ser acompanhado. A governadora Rosalba Ciarlini, ao discursar, emocionou-se e chorou. Ela fez um relato das dificuldades, lembrou da necessidade de defender o seu governo e do desejo de ser candidata à reeleição.

Logo em seguida, falou o deputado federal Felipe Maia.  “Ninguém é contra ou a favor de Rosalba, somos favoráveis a algo maior, que é o nosso partido. Estamos reunidos para deliberar pela sobrevivência”, comentou o parlamentar.

Felipe Maia lembrou da reunião que teve, há duas semanas, com a governadora Rosalba Ciarlini e o deputado Getúlio Rego. “Eu disse a ela, você será candidata pelo Democratas e com o apoio de todos, traga dois (partidos) com densidade eleitoral para que nós possamos nos sentir responsáveis e pleitear a renovação do mandato ou a busca do mandato”, disse o deputado. Ele ressaltou que não há qualquer “indisposição” com a governadora, mas “existe é a luta pela sobrevivência do partido”. 

As abstenções na votação do diretório estadual do Democratas ocorreram porque, no momento da apuração dos votos, tendo como escrutinadores Manoel Pereira e Leonardo Rego, foram verificadas que 59 pessoas votaram, mas haviam apenas 57 cédulas na urna. Com isso, o senador José Agripino, que presidiu a reunião, submeteu ao plenário que os dois votos fossem considerados abstenções. 

Bate-papo - José Agripino Maia
Senador e presidente nacional do DEM

"O diretório se manifestou por números que são muito claros”

Como o senhor avalia a reunião?
A democracia existe para que você, em caso de dúvida, de conflitos de opiniões, dirimir as dúvidas ou esclarecer os fatos pela via do debate, da palavra aberta, dos argumentos apresentados e da deliberação. A instância do diretório é consultiva. O órgão consultivo máximo do partido mostrou que 45, dos 59, acham que o DEM sobrevive pelas vias da coligação da eleição proporcional. Não falo nem na condição eleitoral, mas vejo o arco de aliança. o fato é que o diretório do partido se manifestou por números que são muito claros.

O ex-deputado Carlos Augusto Rosado disse que quem decide é a convenção.
Democracia é isso. Ele me disse, na reunião que teve na minha casa, que respeitaria o resultado da reunião do diretório. Se resolveram não respeitar a opinião daqueles que são a história do partido lhes é, legalmente reservada a instância da convenção. Eles terão direito a fazer. Apenas não deveriam ter dito que respeitariam o resultado do diretório. Disseram uma coisa que não vão cumprir, mas tem direito a fazer essa opção.

Como o DEM sai dessa reunião?
Sai democraticamente fortalecido.


Bate-papo - Ney Lopes 
Ex-deputado federal

“Vamos avaliar se recorremos dessa votação”

Por que o senhor deixou a reunião (ele deixou a sala antes da votação)? 
Porque querem entregar o partido aos adversários e eu  não participo disso. Vão votar, mas eu não vou votar. Não vou referendar isso.

O senhor questionará a decisão na Justiça?
Vamos examinar a matéria, até onde poderia ocorrer isso, diante da autonomia política do partido. Aí (na reunião) está sendo feita uma coisa goela abaixo, que não honra o nome do Democratas.

Por que o senhor faz essa referência?
Nós vamos examinar se recorreremos dessa votação. Foi decidido pela mesa que vão votar a indicação de uma coligação dos democratas proporcional, naturalmente com Henrique e Wilma. Essa indicação proporcional implica no apoio majoritário. Não é possível fazer só proporcional. Se você faz a proporcional já está apoiando a majoritária. Isso não pode.

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