Em solidariedade aos três conselheiros tutelares e uma mulher que foram assassinados na noite da última sexta-feira (06) em Poção, no agreste pernambucano, o Conselho Tutelar de Angicos, região sertão central potiguar, realizou uma paralisação nesta quinta-feira (12).
De acordo com os conselheiros, as portas do Conselho Tutelar permanecerão fechadas, atendendo apenas casos de emergência pelo telefone de plantão: 084 3531-3952 / 9949-6411 / 9441-0313.
Com a paralisação, os conselheiros angicanos se comprometeram com a não interrupção do atendimento da população, mantendo atendimento mínimo através de plantão acima citado.
Os conselheiros realizaram um ato de solidariedade aos conselheiros assassinados e suas respectivas famílias.
O assassinato de Carmen Lúcia Silva, Daniel Farias e Linderberg Vasconcelos é o mais grave resultado já obtido através das distorções das atribuições do Conselho Tutelar. A postura de muitas autoridades do âmbito municipal tem reduzido a autonomia e autoridade do Conselho Tutelar e, em conseqüência disso, pressiona os próprios conselheiros. 
O secretário municipal de Assistência Social, Jaílson Ovídio, esteve presente no ato de solidariedade realizado em frente a Prefeitura Municipal. O secretário falou do importante trabalho dos conselheiros tutelares angicanos e disse que o Poder Publico Municipal através da secretaria de Assistência Social esta atenta a todas as reivindicações feita pelos conselheiros e que o desejo é que se possa dar um melhor incentivo aos conselheiros para que continue se encorajando neste serviço essencial para as crianças e adolescentes do município. Ainda durante sua fala, o secretário, falou da transferência da sede do conselho para o centro da cidade e também irá reivindicar ao prefeito um motorista exclusivo para que os serviços do órgão sejam cada vez mais eficaz e seguros, disse o secretário.

A presidente do conselho em Angicos, Lindjanne Melo, e os demais membros: Adriana Régia, Janicli Gonçalves, Andrezza Duarte e Lanailde Fonseca estiveram a frente do ato de solidariedade, além dos conselheiros do município de Jardim de Angicos, que também estiveram presente levando a mensagem do medo que os conselheiros vem sofrendo durante os seus respectivos trabalhos, alertando assim, as autoridades municipais para que os serviços venham a ser supridos com mais atenção por parte dos representantes constitucionais.  
Entenda o caso
As vítimas estavam em um carro do Conselho Tutelar do município junto a uma menina de três anos, única sobrevivente do crime. Eles vinham da casa da avó paterna da criança, situada em Arcoverde, no Sertão, a cerca de 70 quilômetros de Poção.
Segundo o avô materno, João Batista, as famílias dividiam a guarda da criança. O pai e a avó paterna cuidavam dela durante a semana e, nos fins de semana, a menina ficava com os avós maternos.
A senhora que morreu na chacina era Ana Rita Venâncio, esposa de João Batista e avó da criança.
As primeiras informações obtidas pela Polícia Militar apontam para uma emboscada contra as vítimas, na estrada do Sítio Cafundó, por onde os cinco passavam de carro. "Primeiro, atiraram no motorista, depois nas mulheres que estavam no banco de trás e à queima roupa em um deles [conselheiro] que tentou escapar", informou a PM.
Os conselheiros eram Carmem Lúcia da Silva, de 38 anos, José Daniel Farias Monteiro, de 31 anos, e Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, de 54 anos. Uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) de Caruaru esteve no local e recolheu os corpos.
Inicialmente, havia a informação de que a criança teria sido ferida à bala na confusão, mas, no hospital, informaram que o sangue que a sujava não era dela. A menina está sob a guarda de policiais em um local não divulgado, por questão de segurança.
O avô materno disse que, na sexta-feira, a avó e o pai mudaram repentinamente o horário que eles costumavam pegar a menina para passar o fim de semana. "A gente era para pegar a criança às 11h30 no colégio e entregar na segunda, de 7h30. Só que, essa semana, eles mesmo mudaram. (...) Mudou para gente ir pegar de 17 horas", relata João Batista. Segundo ele, há mais de dois anos as famílias compartilham a guarda da criança.
A PM comunicou, no sábado, que nem o pai nem a avó paterna foram localizados. A mãe da criança já é falecida, segundo a corporação. (Informações sobre o caso do portal G1).
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