Morre o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti


Morreu nesta quarta-feira aos 89 anos o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti. Ainda não há informações sobre a causa da morte. Cavalcanti era deputado do chamado baixo clero quando chegou à presidência da Casa em 2005. Renunciou após denúncias de que recebia o que ficou conhecido como "mensalinho".

O governador de Pernambuco divulgou nota em que se solidariza com a família e diz que "a morte do ex-deputado Severino Cavalcanti deixa uma lacuna na política de Pernambuco".

"Detentor de sete mandatos na Assembleia Legislativa, três na Câmara Federal, inclusive com passagem pela Presidência, e com duas gestões na prefeitura da sua cidade, João Alfredo, Severino teve uma trajetória de muito trabalho.

No Twitter, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo Bolsonaro na Casa, lamentou:

"Com tristeza, nos despedimos de Severino Cavalcanti. Ex-prefeito e ex-deputado federal, Severino foi presidente da Câmara dos Deputados e deixa sua marca na história do município de João Alfredo e na política de Pernambuco.

Na Câmara

Cavalcanti era um parlamentar do chamado baixo claro  quando chegou à presidência da Câmara dos Deputados, em 2005, assustando o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época filiado ao Partido Progressista (PP), derrotou o candidato oficial do governo, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), em fevereiro daquele ano. O governo petista passava por uma crise política e perder a Câmara foi uma das piores derrotas de Lula em seus dois primeiros anos de mandato.

Em maio de 2005, querendo colocar um afilhado na poderosa Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, Severino afirmou a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff:

— O que o presidente (Lula) me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo. É essa que eu quero.

Cavalcanti ficou 217 dias no comando da Casa, mas renunciou no dia 21 de setembro de 2005 tanto ao cargo quanto a seu mandato parlamentar.  Pesavam contra ele a acusação de recebimento de propina de R$ 10 mil mensais para prorrogar a concessão de duas lanchonetes da Câmara. A mesada ganhou o apelido de “mensalinho”.

Pressionado, Severino decidiu pela renúncia.

— Todos seremos, em muito breve, julgados pelo povo. Para quem dedicou sua vida à política, esse é o julgamento que conta, a sentença que importa. Voltarei. O povo me absolverá —  disse, à época da renúncia, Severino Cavalcanti.

Tentou voltar à Câmara nas eleições de 2006, mas não conseguiu se eleger. Dois anos depois, se tornou prefeito de sua cidade natal, João Alfredo, no agreste de Pernambuco. Tentou a reeleição, mas teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, pelo fato de ter renunciado para evitar a cassação.

Nascido em 18 de dezembro de 1930, Severino iniciou sua trajetória política na União Democrática Nacional (UDN), como prefeito de João Alfredo, em 1964. Três anos depois se elegeu deputado estadual, cargo que ocupou durante 28 anos com sete mandatos consecutivos. Em 1995, chegou à Câmara dos Deputados pelo PP, sendo reeleito em 1998 e 2002.

O ex-parlamentar deixa a esposa, Amélia, e três filhos.

G1PE