Governo se reúne com representantes do Sindipetro e bancada federal para tratar sobre saída da Petrobras do RN


Os impactos da saída da Petrobras do Rio Grande do Norte foram a pauta das reuniões da governadora Fátima Bezerra na tarde de ontem quarta-feira (26). Primeiro, ela estive reunida com representantes da diretoria do Sindicato dos Petroleiros do RN e em seguida, por videoconferência, com a bancada federal potiguar. 

Alinhar o discurso e as ações dos petroleiros com o Governo do Estado estava entre os objetivos do encontro com o Sindipetro-RN. A governadora iniciou a reunião fazendo uma análise da atual situação para os representantes do sindicato e reiterou a posição do Estado em resistir, de todas as formas possíveis, para evitar a retirada da Petrobras do território potiguar, e ainda mitigar as consequências negativas para o desenvolvimento econômico e social, uma vez confirmado o fim das atividades no Rio Grande do Norte.

“Precisamos pôr os pés no chão para alinhar e fortalecer essa corrente, esse movimento, para impedir o desastre, que é vender a totalidade de ativos da Petrobras no Rio Grande do Norte”, comentou a governadora ao enfatizar que jamais um governo de perfil popular como o dela iria se omitir nesse momento.

Depois foi a vez dos representantes do Sindipetro-RN exporem a posição da entidade. Para o coordenador-geral do sindicato, Rafael Matos, existem duas saídas possíveis para a crise: a política e a jurídica. “Mas a saída política depende da bancada federal do Estado, na qual nem todos estão alinhados com o discurso progressista.” O diretor de Assuntos Jurídicos, Marcos Brasil, adiantou que será protocolada uma ação, baseada nos impactos negativos da saída da Petrobras, na comprovação do compromisso social exercido pela estatal do Rio Grande do Norte, além de cobrar um amplo diálogo com o povo potiguar.

Marcos Brasil disse ainda que o sindicato solicitará que a Petrobras apresente um estudo próprio sobre os impactos negativos de sua saída e as contrapartidas do Estado para sua atuação no território potiguar. 

Citando outras consequências para o RN com a saída da estatal, Ivis Corsino, também da diretoria do sindicato, demonstrou preocupação com o comprometimento na exploração de petróleo e seus derivados nos campos potiguares e uma possível não substituição por outra empresa do ramo, a curto prazo, que seja capaz de atender a demanda. Ele ressaltou ainda a falta de insumos para empresas e indústrias do Rio Grande do Norte. “É um movimento que busca hostilizar e prejudicar o Governo.”

O secretário de Planejamento Aldemir Freire ressaltou os riscos que o Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema) corre com a falta dos pagamentos das taxas ambientais pela Petrobras, que ameaça até mesmo o pleno funcionamento do órgão. Ele citou também a questão do passivo ambiental deixado pela estatal, questionando quem responderá por isso agora e no futuro.

Ao final, o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) Jaime Calado solicitou ao Sindipetro que escolhesse dois representantes para auxiliar o Governo do Estado durante esse processo do encerramento das ações da Petrobras. Segundo ele, é preciso ter técnicos munidos com dados e informações, junto à Sedec, para argumentar de forma assertiva e segura nesse momento. 

Além dos já citados, também participaram da reunião com o Sindipetro, o vice-governador Antenor Roberto e o secretário-adjunto de Administração, George Câmara.

BANCADA FEDERAL

A defesa pela permanência da Petrobras no estado foi reafirmada junto à bancada federal. A governadora reforçou a importância que a estatal representa para o desenvolvimento econômico do RN, em quase meio século de atuação, e o desequilíbrio financeiro que sua saída irá proporcionar. A desativação da empresa representa uma ameaça a 5.637 empregos, sendo 1.437 efetivos e 4.200 terceirizados.    

“Estou falando de uma empresa âncora, que responde por metade do PIB potiguar. O que está em debate aqui são os interesses do Rio Grande do Norte, por isso conclamo a bancada federal para que a gente aprofunde nosso debate de modo que o Estado não seja prejudicado”, disse aos parlamentares. A governadora relembrou que em 2019 se reuniu com o presidente da Petrobras, Robson Castelo Branco, em Brasília, e que, apesar do anúncio de desinvestimentos no RN, ele havia garantido que a empresa continuaria no estado. 

Fátima informou que vai se reunir nesta quinta (27), dessa vez por vídeo, com o presidente da estatal, para a qual solicitou a presença de um representante da bancada, e adiantou que convocará todos os parlamentares para uma reunião presencial em Natal, na próxima semana. “Vocês hão de convir que a saída da Petrobras do RN nos deixa muito preocupados. Apesar de a empresa ser de capital misto, o seu maior acionista continua sendo o povo brasileiro”. 

Participaram da videoconferência a senadora Zenaide Maia e os senadores Jean Paul Prates e Styvenson Valentim; as deputadas federais Carla Dickson e Natália Bonavides, e os deputados Benes Leocádio, Walter Alves, Rafael Motta e Gen. Girão.